Pix passa a ser rastreado em todos os bancos a partir de hoje

A partir desta segunda-feira (2), entra em vigor uma nova regra de segurança para o Pix que altera a forma como as instituições financeiras tratam transferências consideradas suspeitas, permitindo que o sistema rastreador de valores transite entre diferentes contas quando há indícios de fraude. A medida deve trazer mais segurança para os usuários e ampliar as chances de recuperar valores perdidos por golpes.

A mudança, definida pelo Banco Central do Brasil, torna **obrigatória em todo o país a adoção da nova versão do Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) pelos bancos e instituições de pagamento que operam o Pix. Com isso, o Pix passa a rastrear automaticamente o caminho dos recursos, mesmo quando o dinheiro é transferido entre várias contas intermediárias.

Segundo o Banco Central, a versão atualizada do MED 2.0 foi desenvolvida para combatê r fraudes e golpes, enfrentando uma prática comum em que criminosos retiravam valores de uma conta e rapidamente os transferiam para outras, dificultando a recuperação do dinheiro. Com o novo sistema, essa movimentação passa a ser acompanhada em toda a cadeia de transações, facilitando o bloqueio e a devolução dos valores.

Entre as principais mudanças implementadas estão:

  • 📍 Rastreamento automático dos caminhos percorridos pelo dinheiro após uma contestação;

  • 📍 Possibilidade de bloqueio de valores em contas intermediárias envolvidas em transações suspeitas;

  • 📍 Integração entre bancos e fintechs para troca de informações sobre transferências suspeitas;

  • 📍 Devolução de valores em até 11 dias após a contestação do cliente.

O novo sistema exige que, ao identificar um possível golpe ou fraude, o usuário acione imediatamente sua instituição financeira — o que pode ser feito pelo próprio aplicativo. A partir daí:

  1. A instituição do cliente que foi vítima de golpe envia a contestação;

  2. O banco que recebeu os valores em contas intermediárias pode congelar os recursos;

  3. Tanto a instituição de onde saiu quanto a que recebeu analisam o caso;

  4. Confirmada a fraude, o valor é devolvido ao dono da conta prejudicada.

A mudança no Pix visa reduzir os prejuízos causados por fraudes em transferências e trazer mais confiabilidade ao principal sistema de pagamento instantâneo do Brasil. Antes, o mecanismo tradicional só conseguia bloquear valores na primeira conta que recebeu os recursos — deixando espaço para que fraudadores movimentassem o dinheiro e escapassem do rastreamento. Com a nova regra, isso passa a ser mais difícil.

Especialistas recomendam que os usuários estejam atentos e utilizem os recursos de contestação assim que perceberem qualquer operação suspeita. Quanto mais rápido o banco for acionado, maiores são as chances de recuperação do dinheiro por meio do novo sistema.

📌 Importante: essa alteração não significa que o governo monitora individualmente cada transação pessoal por Pix, como já foi desmentido por órgãos como a Receita Federal em outras ocasiões. O foco principal do MED 2.0 é combater fraudes e permitir a devolução de valores, não “vigiar” pagamentos legítimos dos usuários.

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