Aumento de 35% na produção nos últimos anos.

O grajauense Jeová Ferreira da Silva trabalha há 14 anos no Polo Gesseiro de Grajaú, distante 557 quilômetros de São Luís, capital do estado. Ele veio do sertão, onde era lavrador. Hoje é operador de máquina de produção de placas de gesso. Aos 34 anos, casado e pai de um filho, diz que as coisas “só melhoraram” depois do emprego: tem casa própria e moto.
Os números são superlativos quando o assunto é o polo: dois mil e quinhentos empregos diretos e 10 mil indiretos; 480 mil toneladas de gesso/ano para a construção civil do Brasil; 250 mil toneladas/ano para a agricultura; 150 mil toneladas/ano para fábricas de cimento; 35 mil toneladas/ano para nutrição animal; 15 milhões de placas para forro por ano. São 6 mineradoras, 16 calcinadoras e 60 fábricas de pré-moldados. Instalado há 17 anos, o polo de Grajaú movimenta, em média, 12 milhões de reais por mês no município. Todos os produtos atendem às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

“É o dobro da receita mensal de Grajaú, que gira em torno de 6 a 7 milhões de reais”, ressalta o empresário Marinaldo Alexandro da Silva, terceiro maior produtor de placas de gesso do Brasil. São 150 mil placas de gesso por mês, um milhão e 800 mil por ano, produzidas em uma de suas empresas. Ele é dono da Gesso Original e da Alana Fundição, que funcionam no Distrito Industrial de Grajaú. Pernambucano, Marinaldo Alexandro chegou na cidade logo após o asfaltamento dos trechos da BR 226, entre Barra do Corda-Grajaú e Grajaú-Porto Franco.
Com a vinda dos investidores de outros estados, o polo adquiriu tecnologia compatível com a de Pernambuco, estado que possui o maior número de reservas de gipsita do Brasil. O segundo é o Maranhão, com as reservas de Grajaú. A reserva atual de gipsita no município maranhense é de 50 milhões de toneladas. Em prospecção, são 40 milhões de toneladas. Com tanta matéria prima do gesso, a produção industrial do mineral no município poderá ser explorada nos próximos 50 anos.
Enorme potencial – Mas o filão também sente os efeitos da crise. E a saída veio com o gesso agrícola. A produção desse produto aumentou 35 por cento nos últimos cinco anos. “As atividades da construção civil diminuíram, e as da agricultura cresceram”, explica o presidente do Sindicato do Gesso de Grajaú, Carlos Araújo. Dono da Mineradora Vale do Sol, Carlos Araújo relata que o polo enfrenta dificuldades. Entre elas, a falta de investimentos em pesquisas, e de incentivos às indústrias para se instalarem no Distrito Industrial de Grajaú. Outro grave problema é a demora na aprovação dos pedidos dos processos de lavra (exploração industrial das jazidas) pelo Departamento Nacional de Pesquisa Mineral. “Lá, tem pedidos de Grajaú desde 2004. Os últimos aprovados são de antes desse ano”, informa. O Governo do Maranhão tem se manifestado no sentido de promover incentivos ao polo gesseiro do município. São ações que incluem visitas às empresas locais, diálogos com gestores municipais para ouvir demandas, dúvidas, sugestões, a criação de uma agenda para tratar de tributos, capacitação, ampliação, publicidade e até uma reunião com representantes do Departamento Nacional de Extração Mineral (DNPM), em Brasília.

Pioneiro por acaso – O barra-cordense Ubaldo Chaves Franco é o pioneiro na exploração de jazidas de gipsita e produção de gesso em Grajaú. Dono da Mineradora Choraro, ele lembra a data em que levou a primeira carrada de gesso de Grajaú para Brasília: 01/11/1977. O ingresso de Ubaldo Franco no ramo do gesso deu-se por acaso. Um dia, levou uma amostra do mineral para o engenheiro da empresa de cimento onde um irmão trabalhava, que decretou: o gesso de Grajaú é melhor que o de Pernambuco. De volta à cidade onde foi morar com 20 anos, Ubaldo Franco, que trabalhou na Petrobras, passou a explorar e produzir gesso de forma rudimentar, até ver consolidado o sonho de ver a produção gesseira como a principal atividade econômica de Grajaú.
“São 40, 50 carretas que saem carregadas todos os dias da cidade. Como pioneiro, me sinto feliz por contribuir com o desenvolvimento do município que me adotou e do nosso estado. Se depender das reservas de gipsita existentes no município, o movimento no polo, que funciona de domingo a domingo, vai continuar por décadas”, relata Ubaldo Franco.

Reportagem extraída da Revista Maranhão Industrial leia AQUI
de OUT/NOV 2017 [FIEMA]















