
O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), figura de destaque no meio evangélico e nas redes sociais, foi afastado do cargo por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), a pedido da Polícia Federal (PF). A medida integra a segunda fase da Operação Copia e Cola, que investiga suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos em contratos da saúde municipal.
Com o afastamento, o vice-prefeito Fernando Martins da Costa Neto assumiu interinamente o comando da prefeitura nesta quinta-feira (6). Em nota, a administração municipal informou que os serviços públicos seguem funcionando normalmente.
De acordo com a PF, a análise do material apreendido na primeira fase da operação apontou novas pessoas físicas e jurídicas envolvidas no suposto esquema. A Justiça determinou prisões preventivas, bloqueio de bens — somando cerca de R$ 6,5 milhões — e outras medidas cautelares, como suspensão de funções públicas e restrição de contato entre os investigados.
Os envolvidos poderão responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O caso segue em investigação e, até o momento, não há condenações.
Perfil evangélico e projeção nacional
Rodrigo Maganhato, conhecido como Rodrigo Manga, construiu sua trajetória pública com base em seu testemunho pessoal como ex-dependente químico, destacando a fé cristã como fator de transformação. Tornou-se presença constante em eventos religiosos e mídias cristãs, além de defensor de pautas ligadas ao segmento evangélico.
Nas redes sociais, adotou uma comunicação direta e popular, com postagens diárias e forte engajamento, o que lhe rendeu o apelido de “prefeito tiktoker” e ampliou sua projeção nacional.
O afastamento repercutiu fortemente entre líderes religiosos e fiéis, que reagiram com mensagens de apoio, cautela e pedidos por esclarecimentos.
Operação Copia e Cola
A operação teve início com suspeitas de irregularidades na contratação do Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase), organização social responsável por administrar unidades de saúde em Sorocaba por meio de contratos emergenciais.
Na primeira fase, em abril, a PF cumpriu mandados na prefeitura, na Secretaria de Saúde e na casa do prefeito, apreendendo documentos e valores em espécie. A nova etapa aprofunda a apuração sobre movimentações financeiras e possíveis benefícios indevidos, sob sigilo judicial.
O que diz Rodrigo Manga
Em vídeo nas redes sociais, o prefeito afastado afirmou que a decisão teria motivações políticas e eleitorais, citando sua visibilidade nacional e o fato de ser apontado como potencial candidato a cargos maiores.
“Acredite se quiser, me afastaram do cargo de prefeito”, declarou Manga, alegando perseguição e negando envolvimento em qualquer esquema de corrupção.
A defesa informou que irá recorrer da decisão, enquanto o Republicanos e a organização social citada afirmaram que colaborarão com as investigações assim que tiverem acesso completo aos autos.













